O
executivo da Divisão de Negócios
no Brasil da Autoridade
Portuária de Houston (Port of
Houston Authority), John C.
Cuttino, discutiu com o prefeito
Roberto Valadão, nesta
terça-feira, uma proposta de estreitamento
de laços com o município, visando
a criação de um corredor de
exportação entre Cachoeiro de
Itapemirim e a cidade de
Houston, no estado do Texas (EUA),
passando por Vitória.
A proposta prevê ações por parte
da prefeitura junto aos órgãos
governamentais brasileiros para
acelerar a criação de um porto
seco alfandegado no município.
Controlada pelo governo dos
Estados Unidos, a Autoridade
Portuária de Houston detém 15 %
da movimentação de cargas no
Porto de Houston, décimo maior
porto marítimo do planeta. Os
números apresentados por Cuttino
impressionam: com 90 terminais (públicos
e privados) numa extensão de 25
milhas (40 km), o porto
movimenta mais de cinco milhões
de toneladas de cargas oriundas
do Espírito Santo, com destaque
para o granito (146.028 ton), a
cerâmica e o aço, além do café e
de manufaturados da indústria
moveleira.
Segundo o secretário municipal
de Desenvolvimento Econômico,
Ciência e Tecnologia e Turismo,
Cesar Herkenhoff, que promoveu a
reunião, o Porto de Houston pode
agir como facilitador no
processo de criação do porto
seco. “O John se comprometeu em
nos ajudar nos contatos, no
marketing dos nossos produtos e
em nos fornecer uma espécie de
carta de intenções que pode ser
determinante nas negociações com
o Governo Federal” – informou.
Ainda segundo o secretário, a
próxima reunião para tratar da
implantação do porto seco em
Cachoeiro deverá envolver
representantes da sul-coreana
Korea Trading.
Valadão avaliou que a iniciativa
de Houston vem de encontro aos
esforços da Prefeitura, que já
está elaborando estudos e
planejando ações para a criação
de um porto seco no município.
“As bases para este
empreendimento estão sendo
materializadas com a chegada da
ferrovia litorânea, do gasoduto,
e o apoio importante do governo
do Estado” – acrescentou.
Ao fim da reunião, após receber
informações sobre as qualidades
do mármore de Cachoeiro, o
executivo informou que iria
visitar as empresas Marbrasa,
Decolores e Pemagran. “Quero
conhecer pessoalmente o
potencial do mercado de rochas
ornamentais, que, apesar da
queda do dólar, continua com
índices crescentes de exportação”
– frisou.
PIB de US$ 1 trilhão
Com 25 milhões de habitantes, o
estado do Texas possui um PIB
similar ao do Brasil, girando na
casa de um trilhão de dólares,
portanto, pode ser um mercado
muito promissor para as
indústrias de Cachoeiro e do sul
do Estado, especialmente no
setor de rochas ornamentais,
conforme relatório da Port of
Houston Authority.
Jonh Cuttino ainda apresentou
como vantagem do corredor
Cachoeiro-Houston o fato do
Porto de Houston ter ligação com
extensas malhas ferroviária e
rodoviária com as costas Leste e
Oeste dos Estados Unidos.
“Estamos no sudoeste americano,
com uma logística fantástica,
que beneficia tanto o exportador
quanto o importador” – relatou.
Por fim, ele lembrou o fato do
porto estar autorizado a receber
contêineres acima do peso padrão
dos demais portos
norte-americanos, uma vez que
possui área de armazenagem anexa
ao porto, evitando o tráfego
pelas estradas estaduais do país.
“Esse diferencial diminui o
custo do frete oceânico para o
exportador de granito, que
ganha um contêiner a cada
cinco que exporta” – realçou.