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A visita da comitiva da Autoridade
Portuária de Houston à Cosipa, ontem, teve como pano de
fundo atrair clientes para o novo conjunto de terminais de
contêineres e de passageiros do porto norte-americano, a ser
administrado pelo poder público. Denominado Bayport, o
empreendimento, cujo investimento previsto é de US$ 1,5
bilhão, irá quase triplicar a capacidade de movimentação de
TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), que
hoje está na casa do 1,5 milhão de unidades anuais, montante
concentrado no Barbours Cut Container Terminal — o único do
complexo especializado em cofres.
Apesar de ser o maior porto norte-americano em comércio
exterior e, por isso mesmo, atuar como um hub port (concentrador
de cargas), Houston (no estado do Texas) tem como
carro-chefe a movimentação de granéis líquidos, uma vez que
atende ao principal pólo petroquímico dos Estados Unidos —
localizado às margens de seu canal de navegação.
O representante no Brasil da PHA, Jonh Cuttino, deu o tom da
missão. ‘‘Estamos interessados em fazer contatos aqui no
Brasil’’, afirmou, quando perguntado sobre o principal foco
da visita à Cosipa — parte do aço exportado pela siderúrgica
chega aos Estados Unidos justamente pelos cais de Houston.
"O Brasil é o quarto país de onde Houston importa cargas (o
México é o primeiro, até por conta da localização geográfica)
e está consolidando a sua indústria", justificou Cuttino.
Durante a visita à Cosipa, o interesse dos norte-americanos
girou em torno das perspectivas de aumento das exportações
da companhia para os EUA, neste ano.
O Porto de Houston recebe cerca de 70 mil toneladas por ano
do aço feito na Cosipa, de um total exportado pela
siderúrgica de 2,3 milhões de toneladas anuais. Mesmo não
sendo o primeiro complexo norte-americano na lista dos
maiores compradores da carga da Cosipa (posto ocupado pelo
Porto de Filadélfia, com 200 mil toneladas por ano), Houston
é um mercado em potencial. ‘‘O Porto de Houston é importante
dentro dos EUA porque é um distribuidor de mercadorias para
regiões importantes, não só o Texas’’, explicou o
superintendente de Exportação da companhia, Roy Vivian.
Segundo Vivian, os EUA devem responder, neste exercício, por
30% das vendas dos produtos da siderúrgica ao exterior,
mantendo a liderança no mercado exterior dos destinos das
cargas que saem da unidade de Cubatão. Em 2005, essa fatia
foi menor, de aproximadamente 20%. A seguir, veio a China,
responsável por 18% das vendas do aço da siderúrgica e o
México, com 17%.
De acordo com Vivian, o aumento das vendas de aço para os
EUA se explica pela perspectiva de as exportações para a
China caírem a zero até dezembro, devido à crescente
produção da mercadoria no próprio país asiático. ‘‘A queda é
circunstancial’’, avaliou Vivian.
Projeto
Segundo o diretor de gestão da Autoridade Portuária de
Houston (PHA, na sigla em inglês), Wade Battles, além do aço
da Cosipa, sua equipe pretende atrair outras cargas
industrializadas. Os novos carregamentos poderão ser
atendidos no complexo, graças a seu projeto de expansão, o
Bayport. Seus terminais terão dez berços de atracação, sendo
sete deles para embarque e desembarque de contêineres,
afirmou o dirigente. A perspectiva é que esteja totalmente
implantado até 2010.
‘‘Ainda neste ano iremos inaugurar o primeiro berço. O
Bayport está sendo construído para atender a demanda de
contêineres, que tem crescido’’, acrescentou Battles.
Integra o projeto também um terminal de passageiros, que
terá os três berços restantes para a operação de
transatlânticos. Mas há problemas, sustentou Battles. Como
no Porto de Santos, também os acessos terrestres são um
desafio do ‘‘futuro próximo’’. ‘‘Há cada vez mais e mais
congestionamentos. Temos que crescer não só em produtividade’’,
destacou o diretor.
A visita da comitiva norte-americana à Cosipa, em Cubatão,
foi acompanhada pelo prefeito da cidade, Clermont Castor.
Rumo
A delegação, composta ainda pelo presidente da PHA, Jim
Edmonds, e pelo diretor de Desenvolvimento Comercial, Jonh
Horan, seguiu ontem mesmo para a Capital, de onde iriam para
Santa Catarina, onde está localizada a sede da Embraco, uma
companhia especializada na fabricação de compressores. A
empresa, fortemente voltada para o mercado externo, tem um
centro de distribuição no Texas.
Antes, no entanto, ao deixar a Cosipa, o grupo, composto
ainda por executivos da siderúrgica e da Codesp, pelo
secretário de Assuntos Portuários de Santos, Sérgio Aquino e
pelo gerente de Negócios Estratégicos de Guarujá, Mauro
Scazufca, fez uma passeio de lancha pelo estuário santista,
saindo do Canal de Piaçaguera, percorrendo o estuário e a
Baía de Santos.
Logo depois, a missão foi recebida pela diretoria do Sistema
A Tribuna de Comunicação para um almoço em um dos
restaurantes da orla. O diretor-superintendente da TV
Tribuna, Roberto Clemente Santini, afirmou esperar que os
objetivos da missão sejam alcançados, destacando a posição
de Houston no cenário internacional. ‘‘É um dos mais
importantes portos dos Estados Unidos’’.
O Porto de Houston será um dos dois complexos (o outro é o
de Los Angeles-Long Beach) a serem visitados durante a
programação do Santos Export - Fórum Nacional Para Expansão
do Porto de Santos, por uma comitiva de autoridades e
empresários da região que embarca amanhã para os Estados
Unidos. A viagem é uma iniciativa de A Tribuna e da Una
Marketing de Eventos.
Também presente ao encontro, o diretor-superintendente de A
Tribuna, Marcos Clemente Santini, ressaltou a importância do
intercâmbio entre os portos. ‘‘É um orgulho para A Tribuna
organizar e promover esse evento’’.
Também estiveram presentes ao almoço o editor-chefe, Marcio
Calves, o gerente Comercial e Marketing, Márcio Delfim Leite
Soares, editor regional da TV Tribuna, Eduardo Silva, e o
diretor comercial e de Desenvolvimentoda Codesp, Fabrizio
Pierdomenico.
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