Porto de Houston busca novas exportações
brasileiras - 21/08/06
Em entrevista exclusiva ao
NetMarinha, o presidente do maior porto dos EUA em cargas de
longo curso, James Edmonds, afirmou que a administração do
terminal trabalha para facilitar ao máximo as exportações
brasileiras por Houston.
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"Temos
confiança no desenvolvimento do Brasil e no aumento das
exportações brasileiras para os Estados Unidos nos próximos anos".
A afirmação é do presidente da Administração do Porto de
Houston, James Edmonds, que na última semana liderou uma missão
comercial do terminal ao Brasil. Edmonds, ao lado do diretor
administrativo, Wade Battles, do diretor de desenvolvimento de
negócios, Jonh Horan, e do representante do Porto de Houston no
Brasil, Jonh Cuttino, participou na quinta-feira (17/08)
de um encontro em Florianópolis com exportadores de móveis de
Santa Catarina e o Porto de Itajaí.
Somando importações e exportações, o Brasil aparece como o
quarto maior país em negócios com o Porto de Houston - foram US$
1,69 bilhão em vendas e US$ 1,42 bilhão compras brasileiras em
2004. Esses números, afirmou Edmonds, justificam a atenção dada
pela administração do porto ao Brasil. Nos últimos cinco anos,
disse o presidente, o Brasil é o único País da América do Sul
visitado pela direção do Porto de Houston, localizado no Estado
do Texas. Além disso, em março o executivo John Cuttino
iniciou seu trabalho como representante da Autoridade do Porto
de Houston no Brasil. Até então, o relacionamento com
exportadores brasileiros era feito pelo único representante do
porto na América Latina, que durante cerca de 15 anos ficou
baseado na Venezuela.
Edmonds afirmou que o objetivo da missão comercial e da
representação do porto no Brasil é atrair exportadores - tanto
empresas que já vendem para os EUA, mas não usam ou não conhecem
o Porto de Houston, quanto indústrias que ainda nem estejam no
mercado americano. "Nosso trabalho é facilitar ao máximo a vida
de quem quer exportar para os Estados Unidos, garantindo que
eles façam isso por Houston", disse o presidente.
Segundo o representante no Brasil, John Cuttino, isso
pode passar por um relacionamento mais próximo do Porto de
Houston com os principais portos brasileiros, bem como com os
armadores que atuam no transporte Brasil-EUA, para tentar
viabilizar mais linhas marítimas diretas do Brasil para Houston.
Mas Cuttino afirma que o seu trabalho não se restringe à
questão portuária. "Nossa visão é de uma atuação mais ampla,
queremos também ajudar em outras questões que possam facilitar o
comércio do Brasil com toda a área de abrangência do Porto de
Houston, o meio-oeste americano", disse.
A Autoridade do Porto de Houston pode, por exemplo, auxiliar
exportadores brasileiros nos contatos com empresas de
armazenagem ou logística nos EUA. Devido a sua força política e
relacionamento direto com o governo do Estado do Texas, disse
Cuttino, o porto poderia também ajudar na instalação de uma
subsidiária, um centro de distribuição de produtos ou outros
investimentos diretos em Houston que garantam mais eficiência
aos exportadores brasileiros, e ao mesmo tempo a utilização do
terminal.
Entre os setores contatados pela direção do Porto de Houston na
visita da última semana, destacam-se siderúrgicas que exportam
pelo Porto de Santos e empresas cerâmicas e de móveis de Santa
Catarina, além de armadores, freight forwarders e portos. Até
esta quarta-feira (23/08) um grupo de empresários de Santos,
entre exportadores e prestadores de serviço de diversas áreas,
estará em Houston retribuindo a visita e fazendo contatos nos
EUA.
NOVO TERMINAL - Além da aproximação comercial com o Brasil, o
Porto de Houston está investindo para ampliam sua capacidade,
especialmente na movimentação de contêineres. Houston, que é o
maior porto dos EUA em cargas de longo curso e o segundo maior
na movimentação total, deve inaugurar no último trimestre deste
ano a primeira parte de seu novo terminal de contêineres.
Segundo o diretor administrativo, Wade Battles, a capacidade do
porto atualmente é de 1,5 mil TEUs anuais. Com o novo terminal,
a movimentação deve chegar a 4 mil TEUs por ano. O projeto, no
entanto, é de longo prazo, e só deve estar totalmente em
operação dentro de uma década.
Foto: John Cuttino, James Edmonds e Wade Battles
(Crédito: Maycon Stähelin)